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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

o que é musica sertaneja

Afinal, o que é musica sertaneja e o que é música caipira?
 Música sertaneja é toda música que tem sua origem no sertão (interior) brasileiro.
Essa é a definição clássica.
Hoje, infelizmente, o que vemos é uma grande distorção desse conceito.
Segundo Zuza Homem de Mello podemos afirmar que sertanejo é gênero e caipira é espécie, ou seja, toda música caipira é sertaneja, a recíproca não é verdadeira.

A música caipira viveu seu auge entre as décadas de 1920 e 1970, época em que o Brasil era um país tipicamente agrícola.
A partir, principalmente, da década de 80, o gênero sertanejo começou a se destacar no Brasil e passou a ser explorado comercialmente de maneira mais agressiva.
Um marco importante foi o lançamento da música Fio de Cabelo (1982) da dupla Chitãozinho e Xororó, que vendeu mais de 1 milhão e meio de discos.
Recorde absoluto de vendas até aquele momento para o mercado sertanejo.




Com o destaque da grande mídia veio também à influência da cultura Norte Americana.
A contaminação começou com a inserção de instrumentos eletrônicos como guitarra, baixo e bateria, o que desconfigurou totalmente a música caipira praticada até a década de 70 onde a voz da dupla se apoiava em um violão e uma viola, as vezes com a companhia da sanfona.

A influência do caubói americano foi tão forte que as festas do peão se transformaram em verdadeiros mega eventos, rompendo totalmente com as raízes e costumes caipiras.
As roupas, botas, chapéus, cintos com fivelas enormes, tudo isso foi “importado” e resultou no que conhecemos hoje por “jovens sertanejos” ou “sertanejo universitário”.

Vamos tomar como exemplo a festa do peão de Barretos que começou em 1956 e foi o primeiro evento do gênero realizado na America Latina.
No início as apresentações de catira,  violeiros, desfiles de carros de boi, conjuntos folclóricos e campeonato de doma de cavalos eram as atrações da festa.
Muito diferente do que vemos hoje, com as provas de rodeio seguindo o modelo americano e as apresentações de grandes shows, que na maioria das vezes não tem relação alguma com o mundo caipira.

Cartaz da 15ª festa do peão de Barretos
Outra influência que a música caipira sofreu veio do México.
Duplas como Pedro Bento e Zé da Estrada, Milionário e José Rico, Léo Canhoto e Robertinho são exemplos que adotaram o estilo mexicano.
Utilizavam sombreiros e roupas típicas, até os gritinhos, próprio da cultura mexicana foi incorporado à canção caipira.

Pedro Bento e Zé da Estrada  
Não bastasse a contaminação estrangeira, outra grande diferença entre a música sertaneja atual e a música caipira de raiz está nas próprias composições.
A música sertaneja de hoje possui linguajar vulgar, pornografia e qualidade questionável. Muitos a classificam como estilo “mela cueca”.

Pena Branca define com simplicidade e sabedoria a verdadeira essência da música caipira ao afirmar que: “se houver vulgaridade e grossura, não é música caipira.
“Isso não é coisa da gente”.
Romildo Santana contribui com a reflexão de Pena Branca ao dizer que “na música caipira os temas amorosos falam do amor puro, dos sonhos, erotismo e pensamentos impuros são um campo proibido dentro dos padrões conservadores da identidade caipira”.
Definições mais do que perfeitas e conclusivas!
 5 Comentários sobre este texto
 “Afinal, o que é musica sertaneja e o que é música caipira?”
 Luiz reison  
Salvo algumas exceções a Música caipira está se deteriorando assim como está ocorrendo com o Forró, o samba e acho que com todos os gêneros musicais.
Dei-me a liberdade de publicar esse assunto também no meu blog para servir de assunto de discussão.

  Luiz Violaon  
A ordem é inversa: a influência mexicana veio primeiro, muito primeiro.
E atingiu o meio rural, sede da música caipira de então.
Porém o autêntico caipira continuou em seu lugar e a separação ficou nítida: o que era caipira era caipira e o que era mexicano ficava evidente.
Com a queda do Muro de Berlim, o poderio norte-americano se viu com campo aberto para espalhar seu modo de vida superior – no conceito deles – em toda a economia, inclusive na rural. Trazendo o rurícola para a cidade, teve-o à sua mercê e a enorme cadeia propagandística das gravadoras se encarregou de fazer as cabeças.
A música do campo passou a ser “rock rural” (termo mais besta!), o pop, o funk e outras influências saíram a campo.
E a música sertaneja passou a copiar o cowboy, com farto tempero de mau-gosto e vulgaridade.
Em 1999, o movimento dos violeiros autênticos começou. Esse movimento visava e visa resgatar nossas raízes.
Com o fatídico 11 de setembro de 2001, a Grande Economia fraquejou. Com o prosseguimento da Era Bush, este homem acabou por enterrar os Estados Unidos.
Aí o brasileiro pôs a mão na cabeça e percebeu seu país. E vem voltando-se para ele. Bom para nossa cultura, desde que tomemos cuidado para que os estrangeiros não dêem novo golpe para influenciar de modo deletério nossa cultura.
Um abraço,
Luiz Viola,
Definição direta do que é música sertaneja: é a música do sertão (do Norte de Minas até o Ceará, englobando todo o interior dos Estados dessa região).
Conforme bem define Euclides da Cunha em Os Sertões, sertanejo é o homem do sertão. Exemplos de compositores de música sertaneja: Luiz Gonzaga, Dominguinhos.
Música caipira: música do ambiente rural principalmente do Interior de São Paulo e Minas; música mesmo que urbana, masque remete a esse ambiente.
Outros gêneros autenticamente brasileiros ditos “caipiras”, na realidade são: música Matogrossense e goiana, gaúcha.
O Norte tem um folclore tipicamente seu.
A atual denominação de música sertaneja, que ficou conhecida jocosamente de “breganejo” ou “sertanojo”, são gênero cowboy em língua portuguesa com apropriações indevidas das antigas músicas “bregas” brasileiras (não é pecado ser brega e antigo, o problema é a adulteração das velhas partituras. Quem lembra o estrago que Chitãozinho e Xororó fizeram em Rancho Fundo? E em Sertaneja?)
É isso: música caipira está para o meio rural do Sudeste.
Música sertaneja está no meio rural do Nordeste.
O resto é estrangeirismo e tenta ganho de dinheiro fácil.
Abraço,
Luiz Viola

A influência internacional na nossa música caipira aconteceu graças ao incentivo da mídia e das grandes gravadoras.
Isso gerou muito dinheiro, e continua gerando.
Espero que nossa cultura caipira continue forte em seus princípios.
Só depende de nós!
 Marília Coltrion  
Essa pseudo superioridade vem desde o processo de colonização da América do Norte pelos ingleses.
“Em meados do século XVIII, a disputa entre Inglaterra e França pelo comércio mundial acabou chegando à América. Assim, em 1756, iniciou-se a Guerra dos Sete Anos, em que a Inglaterra, envolvida com outros palcos do conflito, deixou praticamente aos colonos a defesa de suas possessões na América [erro estratégico da Inglaterra].
A luta contra os franceses e seus aliados indígenas despertou nos colonos um forte sentimento de autoconfiança, bem como a consciência de sua força militar.
Pela primeira vez, as 13 colônias uniram-se em torno de um ideal comum.
Vários líderes militares surgiram nesta época, entre eles o aristocrata George Washington.
A Inglaterra saiu-se vitoriosa do conflito contra a França, surgindo, porém, uma forte crise econômica em virtude dos gastos militares.
Para recuperar seu erário (dinheiro público), os ingleses adotaram uma nova política administrativa sobre suas colônias, caracterizada pelo arrocho.
A liberdade comercial que os colonos tinham até então se restringiu às rígidas práticas do pacto colonial.
Com o término da Guerra dos Sete Anos, a Inglaterra proibiu a apropriação de terras situadas a oeste, alegando serem reservas indígenas.
“O fato causou forte descontentamento entre os colonos, ávidos por novas terras.” (Sousa, 2010) Enfim, estava caracterizado o início do processo de independência dos EUA que culminaria em 4 de julho de 1776 com a Declaração Unânime dos Treze Estados Unidos da América.
A economia norte americana cresceria a um ritmo assustador, com “conquistas” de novos territórios, como o Alasca comprado em 1867 dos russos, sem falar no território do Texas que foi ocupado por colonos norte-americanos de forma ilegal e inconsentida, onde empreendem organizações autônomas em suas áreas de influência.
Sem o consentimento das autoridades mexicanas (e eles imaginavam que os mexicanos dariam o consentimento…) pelo território anexado, os colonos norte-americanos são incitados a travar uma guerra sangrenta contra o povo mexicano.
Não citei o genocídio da população indígena da América do norte, escancarada na obra magnífica de Dee Brown – Enterrem meu coração na curva do rio – que mudou radicalmente a maneira de se pensar a conquista do Velho Oeste, desmistificando a visão hollywoodiana dos bondosos e heróicos mocinhos brancos, contra os ardilosos vilões de pele vermelha. Quem gosta de filme de faroeste, aí?
Eu fui educada a sempre torcer pelos índios, mas eles sempre perdiam… Contudo, e aí eu chego onde queria, mesmo sendo marcada por muita violência e pelas guerras, a expansão dos Estados Unidos até o extremo oeste recebeu uma significativa justificação ideológica.
 A Doutrina do Destino Manifesto, que colocou os colonos norte-americanos como divinamente destinados a promover a conquista dessas novas terras. A ambição e o interesse econômico ganharam um arrebatador apelo religiosos que legitimava os conflitos e massacres que marcaram esse episódio na história norte-americana.
Eles se achavam predestinados a dominar o oeste. Depois, com a Doutrina Monroe – “América para os americanos” (leia-se América para os norte-americanos) se achara predestinados a dominar o continente americano.
Tantas outras políticas imperialistas transformaram a América em quintal dos EUA.
Isso justifica a arrogância e a prepotência que faz com que eles invadam qualquer país do mundo em nome da worldpeece.
Que se lasque a soberania desses países, o que importa é dominar.
Todas as ditaduras militares da América foram financiadas pelos dólares estadudinenses. Isso tudo, sem dúvida nenhuma, se reflete na cultura.
E sabendo de tudo isso é obrigados a tolerar o estilo americanizado de algumas duplas sertanejas, em suas roupas e acessórios – e bota vulgaridade nisso-, sem falar naquela violinha redonda.
Gravam CDs com Willie Nelson que é ativista norte-americano em favor da paz.
 Nelson nasceu em 1933 em Abbott, região do Texas.
Ele deveria ser mexicano, então.
Bem, tirem suas conclusões.
Mas essas duplas sertanejas são fruto desse processo de aculturação.
E é exatamente aí que vem a magnitude da cultura caipira que não se deixou afetar, pois é nítida a diferença.
 Marília Coltri
Socióloga e professora de História



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