Total de visualizações de página

Quer sua Biografia aqui = escreva a sua e envie pelo contato que se encontra em baixo. 

R

R-Sertaneja sempre ligada a Melhor Rádio de se Ouvir.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sulino e Marrueiro, os violeiros.09/04/12

 Sulino e Marrueiro, os violeiros.
         Somente a partir de 1970 é que a maioria dos brasileiros passou a viver nas cidades, vilas e distritos; no censo daquele ano o percentual nas áreas rurais caiu para 44,1%.
Era assim, o quadro populacional do País, com o agravante de, na época, ser baixo o índice de alfabetização e as pessoas se comunicarem face a face, na forma oral; o rádio era o único vínculo regular de contato com as regiões urbanas. Entre 1945 e 1960, por exemplo, o número de estações de rádio no Brasil aumentou de menos de 100 para mais de 800.


         Nos anos 1940 e 1950, registra o Dicionário Cravo Albin da MPB, o rádio era o meio de comunicação de massa mais importante do Brasil e a maior parte da música veiculada era tocada ao vivo pelos conjuntos regionais, bandas, cantores, cantoras e orquestras. E os programas denominados sertanejos, nas rádios do sul e sudeste do País, projetavam a música caipira.
Em um desses programas, “Serra da Mantiqueira”, de Sílvio Frota, na Rádio Bandeirante, em São Paulo, surgiria à dupla, Sulino (Francisco Gottardi, 1924-2005) e Marrueiro (João Rosante, 1916-1978), tradicionais cultivadores da moda de viola. Antes, em 1942, Francisco adotara o nome artístico de Limeira, para formar a dupla Limeira e Limeirinha (Amélio Posso).
         A dupla acabou em 1945.
Quando, também, João Rosante deixou o Trio, Saudade, (havia ainda Nenete e Nininho) e despreza o apelido Ninão.
Passa a ser Marrueiro, enquanto Francisco substitui Limeira por Sulino. Juntos, formam o Trio Campeiro, com participação do sanfoneiro Castelinho, que tocou no grupo até 1949; ao sair, deixou formada a dupla, Sulino e Marrueiro - que se firmou como intérprete de modas de viola. Impossível separar esta dupla da moda de viola; são dezenas de canções clássicas compostas por Sulino ou divididas com outros letristas e que os dois interpretaram ao longo da carreira. O LP “Sua Majestade a Moda de Viola” é um dos exemplos.
A letra da moda de viola conta fatos históricos ou relacionados à vida das pessoas onde é composta, dando vida aos episódios na voz do violeiro. E Sulino e Marrueiro fazem isso em suas modas, a exemplo dos clássicos “A boiada do Araguaia”, “Herói sem medalha”, “João boiadeiro” (Sulino e Sebastião Victor), “Laço de couro” (Zé Paioça), “Nelore valente” (Antônio Carlos da Silva), “O erro da professora” (Teddy Vieira), “O milagre do retrato” (Paulo Calandro), “O peão e o ricaço” (Moacyr dos Santos), “Cachorro Corumbá” e outros.
         Não se deve confundir a moda de viola “João boiadeiro” gravado por Sulino e Marrueiro, em 1964, com o rasqueado de Moreninho, que fala de João boiadeiro, primeiro brasileiro a receber um coração transplantado, em 1968.
Muito menos com uma outra moda de viola, gravada por Tonico e Tinoco em 1961, e com o mesmo título e de autoria de Pedro Capeche e Chiquinho.
A moda de viola, diz o Dicionário Cravo Albin da MPB, é uma narração em ritmo recitativo, onde o cantador conta uma história. A melodia é solta, como se fosse uma poesia falada com acompanhamento musical. Normalmente são cantadas em duas vozes, com intervalo musical de terça  acompanhamento de viola. A métrica geralmente é de sete sílabas (redondilha maior), às vezes aparece de cinco sílabas (redondilha menor).
         Sulino (Francisco Gottardi, 1924-2005)

Marrueiro (João Rosante, 1916-1978)
Cultivadores deste ritmo, Sulino e Marrueiro gravaram o primeiro disco na Copacabana, em 1949, com o cururu “Morena de olhos pretos”, de Sulino e Teddy Vieira, e a moda de viola “Cachorro Corumbá”, de Teddy Vieira e Ado Benatti. Com o sucesso, em1952 estrearam no programa “Brasil Caboclo”, da Rádio Bandeirante, apresentado pelo Capitão Barduíno. De 1954 a 1957 gravaram na Victor sucesso como “Abismo cruel” (Sulino e Zé Fortuna), “Mandamentos do chofer” (Sulino e Ado Benatti) e “Florisbela” (Sulino e Zé do Rancho).
         Em 1958 lançou com sucesso o primeiro disco sertanejo da Chantecler, “A volta do boiadeiro” (Sulino e Teddy Vieira) e “Juramento quebrado” (Sulino e Carreirinho), em 78 RPM. Lançou ainda pela mesma gravadora, “Peão da cidade” e “O peão e o ricaço” (ambas de Sulino e Moacir dos Santos). Permaneceram na Chantecler de 1958 a 1968.
Em 1969, pela Cartaz, a dupla lançou o LP “Laço de couro”, título de uma das faixas da gravação.
Capa de um disco de Sulino e Marrueiro
Em 1970 lançaram pela Califórnia, entre outras composições, “Aniversário da mamãe” (Sulino e Nelson Gomes), “Tenho fome e tenho sede” (Sulino), “Caboclo do pé quente” e “Empreitada perigosa” (ambas de Sulino e Moacir dos Santos). Do LP da Beverly, de 1971, destacam-se “Duas rosas” (Sulino e Moacir dos Santos), “Meu querido sertão”, “O jogador de baralho” e “Viola amiga” (todas com Quintino Eliseu). Gravaram outros Lps pela Tropicana (1973), Japoti  (1975) e Continental (1994).
Além de cantor e compositor, Sulino escreveu peças teatrais, apresentadas ainda hoje em circos de todo o Brasil, entre elas a “Volta do boiadeiro”, “Quatro caminhos”, “Quatro pistoleiros a caminho do inferno”, “Vingança se escreve com sangue” e “Cada bala uma sepultura”. Depois da morte de Marrueiro, em 1978, o parceiro Sulino formou nova dupla com Amarito (Roberto Amâncio) e gravaram entre 1978 e 1982. Sulino morreu em 2005.
Publicado por: Ari Donato.
Uma das mais conhecidas duplas sertanejas do País, formada no final da década de 1940, era composta por dois paulistas do interior: Sulino e Marrueiro, que fez grande sucesso com músicas como Sepultura Larga, um clássico caipira em suas vozes. Marrueiro era o nome artístico de João Rosante, a quem se atribui origem jauense.
Os bocainenses discordam e defendem que o artista nasceu naquele município.
Certo mesmo é que Rosante nasceu em 1916, em uma família humilde de lavradores. Segundo informações do Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira, o cantor e compositor era nascido em Jaú e seu primeiro nome artístico foi Ninão. Integrava o Trio, Saudade, formado com Nininho e Ninete.
O trio chegou a atuar na Rádio Record de São Paulo, no programa Hora dos Municípios, comandado por Genésio Arruda.Em 1945, Rosante separou-se do trio e adotou o nome de Marrueiro. Juntou-se nesse mesmo ano a Sulino e ao sanfoneiro Castelinho, para formar o Trio Campeiro, que se desfez rapidamente. Formou-se, então, a dupla Sulino e Marrueiro.
Em 1949, gravaram o primeiro 78 rpm pela gravadora Copacabana, com a música Morena de Olhos Pretos e Corumbá, que caíram no gosto popular e abriram caminho a outros discos, sempre recebidos com entusiasmo pelos apreciadores do gênero. Em 1952, depois de uma breve separação, a dupla estréia o programa Brasil Caboclo, do Capitão Barduíno, na Rádio Bandeirantes de São Paulo.
Três anos depois, segundo dados da página eletrônica Boa Música Brasileira, passaram a fazer parte do programa Alma da Terra, ao lado de Nhá Serena, o humorista Saracura e o compositor Ado Benatti, na Rádio Tupi, também na Capital Paulista.
A agenda de shows também crescia e a dupla não parou mais. Vieram os discos Campeões da Viola, Isto é Sertão, Tangos e Rancheiras, Laços de Couro, Sulino e Marrueiro e outros. O último trabalho dos dois foi gravado em 1978, ano da morte de Marrueiro. Com o fim da dupla, Sulino, nome artístico do penapolense Francisco Gottardi, formou outra dupla com Amarito, com quem gravou mais alguns discos. Gottardi foi também diretor artístico do setor de música sertaneja da gravadora RGE até 1984. Morreu em São Paulo, no dia 30 de julho de 2005.
Mistério
Em 2003, o jornalista e fotógrafo bocainense Antonio Laudecir Teixeira, 51 anos, promoveu em Bocaina o Festival Regional de Música Sertaneja João Rosante, homenageando o cantor e compositor. Representaram o homenageado uma filha e dois netos.
Teixeira afirma de pés juntos que Marrueiro nasceu na Fazenda Mar de Espanha, zona rural de Bocaina, que pertencia ao médico Raul Simões de Camargo. “Pode até ser que tenha sido registrado em Jaú, mas nasceu em Bocaina”, afirma. “Sei disso porque meu pai, Plínio Teixeira, morou na mesma fazenda por muito tempo e trabalhou com o Marrueiro, que era na época carroceiro”, declara. “O artista teve vida meio desregrada, era dado à jogatina, bebida e mulheres, acabou sem nada. O Sulino ajudava a família dele. Formaram uma dupla que fez muito sucesso.”
O jornalista diz ter ouvido de seu pai que Marrueiro tinha fama de briguento antes de fazer sucesso. “Havia naquela época os bailes de fazendas, realizados em barracas montadas para a ocasião. Como Marrueiro sempre aprontava, em uma propriedade proibiram-no de dançar. Inconformado, pegou um laço, amarrou em um dos pés da barraca e tocou o cavalo. Derrubou tudo e não teve baile.”
Sulino também chegou a formar, como que "por brincadeira", uma Dupla com Carreirinho, os quais chegaram a gravar um "CD Artesanal", tendo algumas das mais belas Composições de ambos os Autores, interpretadas pela Dupla "Sulino e Carreirinho”.


Nenhum comentário:

Postar um comentário