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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Campeão e Rouxinol.15/11/12

Campeão e Rouxinol.
(Zequita)
Por esse tempo, eu já ‘’arranhava’’ um violão e conseguia fazer as posições básicas para a marcação (acompanhamento) de compassos e ritmos mais simples como Cateretê, Toada, Moda Campeira, Cururu e outros.
Desenvolvi essa pequena noção que tenho, de tocar violão, apenas observando aos que sabiam tocar.
Principalmente o meu irmão mais velho, o Antonio (Tõe), que a essa altura havia formado dupla com outro cantador de músicas sertanejas e participavam de vez em quando, como convidados de programas na pioneira Rádio Clube de Goiânia, com os pseudônimos de "Campeão & Rouxinol".
Campeão era o meu irmão.      

                     
Acervo José Ricardo de Souza (Zequita)
Campeão e Rouxinol.  
 1.954
 (Não Gravaram Disco)
Campeão possuía um violão Dinâmico, tipo de violão que, naquela época era considerado um instrumento de altíssima qualidade. Mas o mano tinha tanta estima pelo tal violão que não me permitia sequer segurá-lo.
E, quando não estava com ele nos braços, ensaiando alguma moda do seu repertório, mantinha-o guardado num estojo, que para o meu desalento era trancado com uma chave que permanecia sempre no bolso do ciumento dono.
Campeão não se interessou em gravar discos, cantando.
Desfez a dupla e dedicou-se a compor músicas que vários intérpretes gravaram.
Ele não foi um compositor de quantidade, mas, de qualidade.
Seu trabalho é admirado até hoje pela originalidade dos temas e a autenticidade do estilo.
Das suas composições que foram gravadas em discos, as mais conhecidas pelos apreciadores do gênero são: "Canoa de Jacarandá" (Trio da Vitória), "Meu Fracasso" (Tião Carreiro & Carreirinho) e "Tocando Berrante", música gravada por Colibri, Ninão e Nhozinho (Trio Enamorado).                                       ‘“CANOA DE JACARANDÁ” Cópia original.
Escrita a mão pelo Autor, quando a música foi composta em 1954.
O tempo passava as nossas dificuldades financeiras, não.
Tínhamos alguns parentes bem alicerçados, mas, nenhum deles se dignou sequer a nos transmitir uma orientação que pudesse nos servir de bússola, na busca de caminhos onde conseguíssemos visualizar oportunidades de crescimento.
O único apoio que recebemos na nossa sofrida infância e também na adolescência veio da frágil mulher chamada Maria Rosa da Piedade, com o seu exemplo de Fé, de resignação e de esperança, na sua firme convicção de que dias melhores viriam.
E vieram. Pouco a pouco, é verdade, mas vieram.
Santa criatura, que Deus bondosamente enviou a este mundo com a missão de se tornar nossa Mãe.
 O irmão mais velho (Campeão) retomou os estudos deixados de lado por um longo período.
Foi aprovado em um concurso dos Correios e Telégrafos e assumiu a função de carteiro.
 Dadas às circunstâncias, consideramos um grande feito. Esse acontecimento permitiu que mais tarde ele se formasse em Direito e se tornasse um bem sucedido Advogado.
O Osmar (Borracha) tornou-se assim como eu, lustrador de móveis.
O Evando (Zinho) tirou Carteira de motorista e foi trabalhar na Empresa de ônibus que fazia o transporte coletivo local. Zé Ricardo (Zequita) após passar pelo inevitável estágio de servente de pedreiro, aprendeu a profissão, que exerceu por algum tempo, depois também se tornou motorista e foi trabalhar no transporte de cargas. O Jair (Nãna) trabalhou algum tempo em marcenarias e posteriormente montou sua própria oficina de reformas de móveis: Reformadora Corneta (nome bem apropriado, diga-se de passagem). Helena (Tília) e Iolanda (Pita), as mais novas da irmandade, também deixaram de estudar após completarem o curso primário.
Eu trabalhava, brincava (quando podia) e me apegava cada vez mais a idéia de me tornar um artista, cantador de músicas sertanejas.
A essa altura minha mãe, cansada, já começando a sentir o desgaste provocado pelas agruras vividas e o peso dos anos apoiado em seus frágeis ombros, já não interferia em nossas decisões nem nas nossas escolhas.
Ela não tinha muito que nos ensinar, pois nada lhe fora ensinado.
Assim, chegamos ao ano de 1.956.
Eu já havia conhecido outros tantos ‘‘desmiolados’’ que também sonhavam exercer a tão desacreditada (na época) profissão de Artista Sertanejo que era (e é, até hoje), chamado de caipira.
Houve frustração para muitos.
Mas, para outros tantos, a sorte sorriu e se tornaram mais tarde, bem mais tarde, nomes importantes na música brasileira, como se verá no decorrer desse despretensioso relato. Quero deixar bem claro que não tenho a intenção de fazer análises sobre a música sertaneja, suas origens e sua evolução.
Minha pretensão é registrar o desenrolar da minha própria jornada de vida, que de certa forma esteve sempre entrelaçada com o meio musical e mais particularmente com o segmento musical sertanejo, do Brasil.
Mais particularmente ainda, com o meio musical sertanejo, de Goiás.
Não vou falar nada que outras pessoas me falaram.
Vou falar sobre acontecimentos que eu presenciei.
Não foi ninguém que me contou, eu estava lá.
Dei algumas ’’paietadas’’ com uma meia dúzia desses candidatos a violeiros, mas tudo de maneira muito informal, de forma amadorística mesmo.
Uma cantiga aqui, outra ali, nos botecos da ‘’Campininha’’, nos palcos dos parques de diversão e principalmente nos ranchos de palhas na festa da Trindade, onde havia danças e modas sertanejas além do atendimento profissional das prostitutas que ali exerciam a sua profissão (a mais antiga de todas), e com certeza a mais humilhante.
Fiz dueto com cantadores dos quais eu me lembro bem.
E foi um aprendizado valioso.
Aprendi a frequentar ambientes perigosos, imorais, repletos de vícios e de práticas ilegais, brutalidade sem quantia, onde imperava o instinto animal, nas imperfeições dos mesmos, sem, contudo me contaminar naquela sórdida podridão.
Graças a Deus. Mas, voltemos ao assunto das cantigas.
Como já disse fiz parceria com alguns iniciantes, amadores, iguais a mim, tentativas que acabaram dando em nada.
Quero registrar aqui, duas dessas malogradas experiências, mas, que foram muito úteis como aprendizagens.    
Acervo pessoal Oswaldinho Cantei com o Oswaldo (Tuta), lá de Caturaí - GO, primeira voz excelente, bonita mesmo.
Formamos a dupla “Osvaldinho & Chiquinho”. Mas, pela nossa imaturidade e pela falta de recursos financeiros nossa parceria teve curta duração.                                                             Nivaldinho
(Relâmpago) Cantei com o "Relâmpago", sanfoneiro cantador, lá de Itauçu - GO. Nossa dupla chamava-se: "Relâmpago e Chiquinho".
Depois ele passou a usar o pseudônimo de Nivaldinho.
Era segunda voz, mas, na nossa improvisada dupla, fazia a primeira. Tinha uma voz danada de feia, mas tocava sanfona como gente grande, além de ser um ótimo companheiro.
Com ele aprendi muitas coisas, inclusive beber cachaça, o que, aliás, aprecio até hoje (com moderação, é claro).
Fizemos até um programa de rádio (Rádio Karajá, de Anápolis) durante uns seis meses.
Sinto saudade desses companheiros com quem dividi por algum tempo a esperança-sonho de um dia tornar-me um artista sertanejo profissional. 
Fonte http://blogdomarrequinho.blogspot.com.br

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